Bóris
17/08/2002 ~ 24/03/2017



E nossa ovelha de pelúcia que pensava ser um cachorro foi embora hoje, ou como amiga falou, o céu ganhou mais um anjinho. Afinal, todos os cachorros vão para o céu (nunca vi o desenho, mas a frase pra mim é verdadeira), Bóris, daquele tamanho achava que cuidaria de todos nós. No fim, cuidamos dele, pois ele merecia, até os gatos cuidaram :)



A idade chegou com força, e lhe tirou a visão, lhe deu respiração pesada e taquicardia. Certa vez, tirou os movimentos das patas traseiras, insistimos o levantando para comer e fazer necessidades em pé, exercitar, quando notamos que ele não aguetava mais, nem ajudando. Ficar deitado o dia todo machucava.


Eu e minha mãe nos revezávamos nos cuidados, Téo dormia com ele em dias frios, Juju também e às vezes ela limpava as feridas dele com a língua (o que não é uma boa idéia, mas quem convence um gato de mudar de idéia?). Sansão ficava por perto, vigiando.


E vieram os ganidos de dor, a dificuldade até em comer.
Tivemos de tomar a decisão mais difícil. Acompanhei ele finalmente descansar, sem dor :(



Deve estar brincando com Milla, Chocolate, Bambam e outros bichos agora.



• Tempos de Guerra (de José Duval): Essa é uma HQ antiga, daquelas que eu tinha na coleção e sumiu por motivos misteriosos (aposto em cleptomania de alguma amizade de meus irmãos) e que fui "obrigado" a recomprar, já que desde sempre achei que merecia estar na coleção. Apesar de ser é história nacional "séria" (no sentido de "não ser humor underground/infantil") no gênero que hoje é chamado de "distopia", Tempos de Guerra parece ter passado sem alarde na época em que foi publicada, o que é uma injustiça.
No futuro, o jovem Iágar muda para uma São Paulo dividida entre o povo que vive no chão, os pobres e as gangues (se matando em suas guerras e confrontando a polícia) e os que vivem nas "ilhas", as torres onde vivem os ricos e a classe média que a sustenta. Com o passar das páginas, o personagem descobre que muitas das gangues são lideradas por gente controlado pelos figurões das ilhas (e isso ele acaba resolvendo) e que as ilhas só se importam com eles quando dão problema (e falar disso é contar o fim da história).
Criação do (aparentemente sumido do mercado) José Duval, Tempos de Guerra tem todos os elementos desse tipo de história, com arte meio estilizada meio realista, contando em cenas que vão compondo uma história maior. Com quase um quarto de século, as críticas que o autor faz à sociedade, à manipulação política e da opinião pública, a cultura do "pão e circo" e o pessimismo quanto à efetividade "soluções" contra o status quo dominante continuam todas presentes.

# Veredicto: Se achar num sebo, compre! Merece muito uma republicação melhor que o papel "jornal".
# Bom: roteiro, arte, como o autor lida com os personagens e o mundo na medida exata sem sobrecarregar a história com muitas "aulas" (mas isso acontece ocasionalmente) (e, parando pra pensar, fiquei querendo saber mais desse universo :P). E o velho Muls é aquele tipo de personagem terciário que é um achado :D
# Mau: muitos elementos da distopia de TdG não são exatamente novos, e o ponto mais baixo é o tratamento dado aos personagens negros, quase como se fossem uma tribo africana de filme estereotipado ("Mibú e sua tribo", por favor, né? ¬¬'), que fazem a diferença, mas são sempre os secundários. Um clichê ruim que já era velho no ano em que a HQ foi publicada.
68 páginas • publicado em setembro/outubro de 1993

Notas:
1) José Duval fez algumas histórias para a revista do Niquel Náusea na época [insiram aqui elogios à Fernando Gonsales por décadas fazendo tirinhas sobre biologia e não ter perdido a graça ainda] e publicou outra HQ, O Entrincheirado Hans Ribbentrop, que apesar de ser humorístico, não curti tanto.
2) curiosidade histórica aleatória: apesar do clichê da ficção científica de "pobres em baixo, ricos na parte alta" (e na vida real temos os preços caríssimos de coberturas de prédio), no império romano isso não acontecia. Haviam prédios de vários andares, as insulae ("ilhas", assim como na HQ, mas em latim), destinadas as classes mais pobres. O térreo era dedicado ao comércio, e os andares superiores (alguns textos falam em sete andares!) eram para moradia, e quanto mais alto você morava, menos você pagava - já que água não chegava lá facilmente, e bom lembrar que não existiam elevadores na época. No geral as classes ricas vivia em habitações térreas/sobrados, os domus e as villae (devo ter errado alguma info, sempre erro, mas no geral é isso :P)

• Quadrinhos A2 #5 (de Paulo Crumbim e Cristina Eiko): Histórias do cotidiano de um casal paulistano (e seu cachorro), com um toque de fantasia e exagero, sempre com bom humor e um senso de narrativa gráfica afinadíssimo - é o que você vai ter aqui. Vai ter história com desespero implícito sobre pum, história boba sobre catota (falante). História sobre o que passa quando resolve meditar em silêncio por horas e outras, tem também.

# Veredicto: estou sempre esperando a edição seguinte (geralmente tem um A2 por ano), por ser divertido, sem pretensão e a arte/diagramação só evolui.
# Bom: além de tudo acima, acabamento gráfico. O livretinho (apesar de se chamar A2, é quase um A5) é bem acabado, melhor que muitas editoras por aí.
# Mau: além do volume ser rápido de ler, não é o tipo de história que todo mundo curte. E também diria que a edição estava boa, mas não foi das melhores^^"
140 páginas • R$15 • Clique aqui e adquira no site dos autores!


• A Espada de Gelo (Disney): Mais um encadernado Disney (dessa série já resenhei "Iniciativa Super-Heróis", "Um Brasileiro Chamado Zé Carioca" e "História e Glória da Dinastia Pato"), dessa vez juntando as quatro histórias em que Mickey e Pateta participam de uma premissa simples mas eficiente: eles são transportados às Terras de Argaar, uma dimensão típica de mundos de fantasia (há elfos, há monstros, há magos, há um arquivilão, tem até mapa!!), geralmente para enfrentar o Príncipe das Névoas (e, principalmente, problemas derivados dele), mas sempre na noite da véspera de Natal.
Ao contrário do que se pode esperar, o camundongo fica quase como coadjuvante: Pateta é o "herói" da trama, apesar que o mundo e seus personagens nativos que tem o maior naco da força narrativa. Enfim, a Espada de Gelo não é uma grande trama ou obra prima, mas dá gosto ver que um mundo meio desconjuntado e genérico no primeiro episódio ganha personalidade gradualmente, e quase que uma mitologia própria. E descobrir que nem sempre os mocinhos se dão bem, mas saem melhores do que chegaram assim mesmo.

# Veredicto: me divertiu sem precisar desligar o cérebro, nem força-lo.
# Bom: os personagens "novos" são carismáticos, até por que são velhos conhecidos: o mago/sábio, os camponeses que tem de se virar como soldados, etc. Além disso, volta e meia a diagramação brinca com os quadros, fazendo eles assumirem formas estranhas ou colocando molduras nas páginas ou adotando soluções inusitadas.
# Mau: o texto introdutório tentando vender o peixe comparando A Espada de Gelo com Senhor dos Anéis ou Guerra nas Estrelas. Ignore isso - essa coleção de histórias não é tão grande-importante-megasaga como estas duas, mas tem sua própria personalidade. Outro defeito é o peso dos personagens Disney, mesmo com todo um ambiente legal em torno, Mickey continua o insosinho de sempre (deve ser por isso que virou coadjuvante) e Pateta está um tanto atenuado (senão não há epicidade que se sustente).
324 páginas • R$59,90

E a culpa nem é toda dos protestantes: desde cedo uso a palavra "trono" como eufemismo para "privada", com todas as piadinhas adjuntas - "dia de rei" é para mim (e muita gente) sinônimo de "piriri" e por aí vai. E desde que os fiéis começaram a usar a expressão "diante do Trono" (de Deus) meu cérebro automaticamente junta e meu lado mais consciente tenta separar a imagem mental mesclando o sagrado com o sanitário. -_-'
Daí o título do post.

(Por sinal, toda vez que leio no twitter sobre a série Guerra dos Tronos imagino uma festa onde a comida deu revertério geral nos convidados e não tem assentos para todos, daí a guerra).

A abobrinhagem acima foi pra resumir meu fim de semana: tive uma virose (não fui ao médico, mas aposto que se fosse, esse seria o diagnóstico - a medicina moderna reduziu tudo à "virose", até balas perdidas), em que tudo parou, fui trabalhar assim mesmo, me sentindo inflado a ponto de explodir e voltei pra casa pra cuidar do Bóris (nosso poodle, cada vez mais ancião....), ter sessões de descarrego ( :P ) e destruir de vez meus horários de sono. Tentei manter minha rotina batendo perna no centro de sábado (e conhecendo os banheiros de shoppings e estações de metrô, já que a natureza invocou), mas foi uma demolição da minha vontade de comer e de ficar acordado, só semi-recuperei no domingo e na segunda estava em melhor estado, mas não 100% ainda. Nessas, acabei não fazendo HQ para a newsletter que devia ter saído - mas tudo bem, esse domingo estou prometendo dose dupla ò_ó


Ia reclamar do uso excessivo de vocabulários específicos e expressões à ponto de perda de significado pelo uso de religiosos (e virar piada pelos não-crentes bem antes disso), mas todo grupo cai nesse erro, a esquerda e demais movimentos progressistas inclusos.

Já que abri a vibe "querido diário" do blog, terça eu tava no metrô escrevendo e alterando meu código (sim, eu tenho um diário em código, e ele está sempre em mutação. Não sou Tolkien, mas esse é meu vício não-tão-secreto :P), quando, ao chegar na Sé, a moça ao meu lado me pergunta, meio saindo mas ainda simpática.

- Ei, que língua é essa.
- É o código que uso pra escrever - achei incrível que disse sem papas na língua, anos atrás eu tangenciaria uma explicação.
- Ah, achei bonito, disse e se afastou.
Como é a segunda vez na vida que alguém aleatório no metrô me perguntou isso (muuuuuuito tempo atrás foi um cara, capaz de ter registrado aqui no blog)(registrei sim! Leia aqui!), fiquei feliz por ter tido tempo de dar um Sine Qua Non para ela antes dela sumir.

(deve ter me achado doido, e sou. Mas gente normal é chata)


Estes dias fui repassar uma mensagem do twitter (aka "dar RT") que apareceu, mas não consegui. Suspeitando, confirmei que o twitt foi escrito por uma pessoa que me bloqueou. Mas quem era ela? O que fiz para ela? Fui lá xeretar, achei o nome real por detrás dessa arroba, googleei para ter uma certeza de quem era a pessoa e enfim: era a amiga de outra pessoa com o qual tive um revertério social mais de década atrás.
Xeretando o perfil acima, só pelo desafio de encontrar, achei a arroba amiga dela - que saiu do meu radar faz tempo. Desafio resolvido acompanhado pelo fechamento das abas do navegador.
Lição aprendida: se você quer evitar alguém não coloque uma muralha em torno de você, isso chama mais a atenção ainda. Nerd que sou, lembro de uma HQ do Super-Homem em que o Coringa escondeu três vítimas que ele sequestrou em caixas de chumbo, já que o personagem não consegue enxergar através desse tipo de metal. Mas justamente por isso foram achadas rapidamente: como eram opacas à visão de raios-x do kryptoniano, se destacavam de tudo o mais e foram rapidamente localizadas, encerrando o plano infalível do inimigo do Batman que resolveu tirar férias em Metrópolis. Ambas as situações me pareceram a mesma coisa =p
E como não achei a cena acima na internet, peguei essa capa aqui no google, que parece misturar a os dois primeiros parágrafos desse texto numa figura só XDDDD

(e apesar da capa acima ser boba-besta, não acho que a pessoa foi, ela só usou o senso comum. Se é que foi isso mesmo o que aconteceu)

De passagem, só colocando isso aqui:

Fonte: Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil

Um velho ônibus "monika", que circulou em Sampa nos anos 60/70:


23set13 - estava exposto em frente à Prefeitura nessa época

E um lugar que merece ser visitado (nota mental: levar namorada, que gosta de museus e história) é o Museu da CMTC dos Transportes , de onde certamente devem ter tirado esse ônibus acima. Ao que me lembre, você consegue entrar nele. Ou conseguia, não vou lá há DÉCADAS.

Certa vez no século passado, fui fazer a matrícula do colégio (ou de prova para entrar nele, não lembro) e estava com meu irmão. Como a escola era perto do museu, fomos lá e estava saindo da garagem uma réplica do primeiro bonde, o camarão, cheio de crianças de uma excursão. Entramos de gaiato, demos toda a volta (que foi até perto da Barra Funda e voltou) e isso valeu o dia :P

Antes, duas não resenhas: recentemente fui ao cinema com dona namorada e vimos:
A Chegada (Arrival): O.trailer.diz.nada e fui com o espírito de "ah, legal, mais um filme de etê. Só vou ver pq tão falando bem". Saí do filme sem falas, procurando a frase em chinês que a doutora disse e xingando o roteirista por ser tão fdp escondendo coisa.
Estrelas Além do Tempo (Hidden Figures): um filme de estrutura mais simples (é um filme, não ciência de foguete!), mas com tema mais necessário nesses nossos tempos: racismo, sexismo, segregação e a maldita mania das pessoas enfiarem a si mesmo e os outros em caixinhas com regras limitadas. E sim, é um filme leve, divertido e pra cima =)
Talvez eu escreva algo mais "de verdade" quando sair DVD e eu reassistir ^^'


• Black Silence (de Mary Cagnin): Num futuro distópico, um grupo de astronautas vai a outro planeta, nosso futuro novo lar, já que a Terra está com os dias contados. No passado, Mary Cagnin fez a HQ Vidas Imperfeitas, que chegou a ser publicada no meu site :B E foi finalmente impressa e terminada em três volumes pela HQM. No presente, ela decide publicar sua ficção científica via Catarse, e consegue :D
Bom, eu sou desconfiável para fazer uma resenha aqui, um péssimo hábito meu é de ser muito bonzinho ou muito cruel com trabalhos de gente que eu conheço. Sou fãzaço do traço da Mary e certeza que a pessoa tem de ter uma pedra no lugar do senso crítico para não curtir a arte dela. Mas o enredo não me fisgou, talvez por ter poucas páginas, você sente que Black Silence tem uma explosão de idéias legais contidas para caber em pouco mais de cem páginas: os personagens volta e meia dão pistas de uma riqueza que não demonstram atuando (e você tem certeza disso lendo a ficha deles no final), e mesmo as interações são contidas. A história de nosso mundo naquela realidade futura parece ter acontecido muita coisa, mas só nos é revelado poucos fragmentos - a capa traseira quase dá mais infos que dentro da própria história - , e menos ainda é dito do enorme mundo onde eles vão parar, mas tão pouco que não dá combustível suficiente para gerar impacto na cena final.

# Veredicto: gosteizin e sei que sou chato exigente.
# Bom: representatividade (3 mulheres (duas negras, uma horiental), 2 homens (brancos)). A arte e os cortes de cenas estão perfeitos. A temática espacial me atrai, a capa é linda e espero que ela se arrisque mais com obras futuras =)
# Mau: faltou espaço para me apegar aos personagens, tempo para dar a história a força necessária.
104 páginas • R$30 • Clique aqui e adquira na loja da autora

PS: ainda to cismado que uma nave com apenas cinco pessoas, contenção de espaço etc tenha o luxo de um banheiro masculino e um feminino.


• Homem Máquina (por Tom deFalco, Herb Trimpe e Barry Windsor-Smith): Lembro de terem lançado esse gibizinho na última FIQ (melhor evento de quadrinhos <3) e estranhei: "ué, por que lançaram com capa dura e efeitos metalizados?" Nenhum dos autores estava no evento (ao que eu saiba) e a enredo não era lá grandes coisas (tanto que em 1988 tinha saido por aqui meio que escondida na falecida Heróis da TV (edições 102, 103, 104 e 105), da editora Abril - se você ver as capas, não vai achar chamada alguma sobre essa história :P)
Minto, tinha uma coisa legal (e só): o visual cheio de engrenagens de Arno Stark, o canalha Homem de Ferro de 2020:

2020? Ah, sim, esqueci de contar: o gibi foi escrito em 1984 e se passa daqui a três anos: nosso personagem principal, o Homem-Máquina (um andróide que nasceu como coadjuvante de luxo (graças à Jack Kirby) da quadrinização Marvel de 2001, uma Odisséia no Espaço) foi desligado na sua era e acorda nesse futuro distante aí, décadas depois, resgatado por um grupo de caçadores de sucatas robóticas.
Claro que esse tipo de história vai ter:
1) personagens da mitologia do herói revisitados com versões mais velhas (mas o HM é um personagem tão terciário que reconheci ninguém, tirando a sem sal da Jocasta)(e ainda pioraram o visual da robozinha),
2) uma megacorporação que controla tudo, e, obviamente, perseguindo o nosso amigo robô,
3) carros voadores, motos voadoras, deve ter até skate voador mas não prestei atenção,
4) briga de robôs,
5) e nenhuma previsão correta sobre a internet. Nem mencionam, na verdade.
E só teve isso. O enredo segue no automático, os personagens não tem apelo e nem tempo de se desenvolverem - sequer tem algo de novo neles. Acho que a Marvel só acertou criando um futuro quando criou o universo 2099.

# Veredicto: se for comprar, procure no sebo os gibizinhos dos anos 80 que citei acima: além do texto ir mais rápido (por estar reduzido para caber no formato), você vai conhecer o Thor em sua melhor fase. Esse gibi não vai morar na minha estante e continuo não entendendo por que uma história tão normal foi lançada em formato de luxo.
# Bom: além do visual do Homem de Ferro 2020, tem o traço do Barry Windsor-Smith, que arte-finaliza três partes (melhorando alterando bastante o traço do Herb Trimpe) e faz toda a arte do capítulo final. Não é dos meus ilustradores preferidos, mas é um senhor de respeito merecido.
# Mau: ia falar que Homem-Máquina seria mais um tijolo do Templo das Boas Idéias Desperdiçadas, mas o conceito da história não é tão bom mesmo, nem era criativo, em qualquer era.
100 páginas • R$26,90


• Armada (de Ernest Cline): Taí um livro que me "obrigou" a chegar até o fim: devorei as páginas em cinco dias, sempre querendo saber mais - sobre o destino dos personagens, sobre o que iria acontecer na cena seguinte, etc etc.
Então, é um livro excelente?
Não.
É bonzinho.
Mas antes, deixa eu falar do livro: jovem, criado pela mãe, já que o pai faleceu quando ele era bebê ainda, viciado em games e consumidor de muita tralha cultural dos anos 80 (culpa da herança do falecido: ele deixou filmes, jogos de video game, livros, rpgs etc) se acha doido por ver uma espaçonave inimiga de seu jogo preferido, Armada, voando perto da escola dele durante uma aula. Logo ele descobre que não está maluco, realmente viu uma nave, que o jogo não era só um jogo - mas um treino e seleção de pilotos de naves espaciais no mundo inteiro contra uma iminente invasão dos alienígenas de Europa (não a península com complexo de superioridade o continente, mas o satélite de Júpiter).
A partir daí, com essa premissa dando inércia, mais as estruturas de enredo mais que testadas em filmes juvenis da década homenageadas (O Último Guerreiro das Estrelas é inspiração assumida, tá na capa traseira), muitas, mas muitas referências nerds de todas as eras - pelo martelo de Grabthar!! - além do fato da história mais dá que tira do personagem: poucos obstáculos se sustentam, há perdas (algumas enormes), mas ele tem muito mais ganhos no placar. É muito satisfatório! E é óbvio que eu devoraria as páginas em velocidade de foguete até o fim.
Mas satisfatório tipo uma refeição de fast food, é saboroso dentro do que se propõe, os ingredientes e técnicas de montagem são familiares, só que não te nutre muita coisa. Só passou um tempo legal numa atividade de recompensas imediatas.
E, de quando em quando, isso não é mau de se fazer.

# Veredicto: Uma boa distração escrita por quem sabe manter o ritmo da narrativa.
# Bom: Referências nerds (talvez até canse), não perde tempo. Apesar de todo personagem que não é o Zack Lightman (esse é o nome do protagonista, tinha esquecido de falar. Mal aí) ser bem menor que ele pra narrativa (além de serem bastante bidimensionais), as garotas, desde a mãe até a namorada que ele acha no caminho, não são "enfeites", elas fazem algo. E, curiosamente, ao que me lembre todas as baixas do livro são essencialmente masculinas. Ah, sim: é o livro que eu gostaria de ter escrito aos quinze anos!
# Mau: em alguns pontos tenho a impressão o autor está completando uma lista de coisas a fazer: valentão na escola ("check", ouço ele dizer em minha mente), namoradinha ("check"), primeira missão desastrada ("check"), etc. Isso é incômodo. Mas o que mais me deu coceiras é um personagem adolescente, na verdade, vários personagens civis (de várias idades), serem enfiados numa estrutura militar (no formato pasteurizado pela ficção de origem estadunidense) e eles aceitarem passivamente e até acharem legal isso. ¬¬
432 páginas • Editora Leya


outras resenhas:

(The Juggenaut)
Quando Cain Marko, filho de um pesquisador atômico, tinha dez anos de idade, seus pais se separaram e ele foi criado pelo pai. Tornando-se um jovem cruel e sem caráter, Cain continuou vivendo com seu pai, depois deste ter casado com a viúva de um industrial. A mulher tinha um filho adolescente e Marko sentiu um ódio gratuito e instantâneo pelo rapaz - o menino Charles Xavier (veja Charles Xavier) - tanto, que costumava maltrata-lo em toda e qualquer oportunidade. Desentendendo-se com o pai por questões de dinheiro, Marko usou explosivos químicos para criar um incêndio e destruir o laboratório de seu pai, montado na própria casa. Embora tenha conseguido salvar Marko e seu enteado das chamas mortais, o pobre homem morreu por inalação de fumaça. Marko continuou vivendo na casa com a madrasta e foi se tornando cada vez mais invejoso das conquistas intelectuais e atléticas do jovem Xavier. Alistando-se numa academia militar, Marko partiu para a Asia e lá descobriu uma caverna que ocultava o templo perdido de Cyttorak, uma poderosa entidade mística. Impulsivo, ele pegou um rubi brilhante do colo de um ídolo, onde havia a inscrição... "Aquele que tocar esta gema possuirá o poder das faixas escarlates de Cyttorak. Assim sendo, você, que leu essas palavras, se tornará para sempre um encouraçado humano". Marko se transformou pelo poder da jóia e, logo a seguir, foi soterrado sob toneladas de pedra, quando um bombardeio inimigo provocou um desmoronamento na caverna. Usando seus poderes, ele cavou sua saída e retornou à América para infernizar a vida de Charles Xavier e dos seus protegidos, os X-Men. O Fanático possui grandes poderes de natureza mística que ampliam tremendamente sua força e envolvem seu corpo com uma energia capaz de tomá-lo um verdadeiro projétil vivo. Quando começa a caminhar numa determinada direção, nenhum obstáculo ou força na Terra é capaz de detê-lo. Criado por Stan Lee em 1964, usa um capacete forjado com um metal desconhecido, encontrado na dimensão de Cyttorak. Com ele, o vilão pode resistir a qualquer forma de ataque mental.


Índice: ABCDESobre esse projeto

Eu sendo eu mesmo: finalizando uma sequência de postagens depois de UM ANO. #aiai


"O Quotidianos é foi um projeto de histórias ilustradas onde 10 escritores e 10 ilustradores tratam de quotidianos fantásticos, estranhos e insólitos em publicações online diárias." e fui um dos dez ilustradores, primeiro fazendo parceira com a escritora Simone Saueressig, este ano com o A.Z. Cordenonsi.

Infelizmente o site não existe mais (reclamem com o Rober), mas a última história, Henrique e o Arlequim, foi dividida em cinco partes, e fiz o mesmo com a arte. E até agora, não tinha postado todas as artes num arquivo só:


(clique na imagem para ampliar e talz)

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E minha mini-biografia no Quotidianos.

(The Falcon)
Sam Wilson evita comentar sobre sua vida 14 antes de ter conhecido o Capitão América. Tudo indica que o misterioso passado do herói é reflexo de traumas de infância que abalaram profundamente o seu desenvolvimento mental. Há rumores de que, por causa disso, Wilson desenvolveu, no passado, uma segunda personalidade criminosa que maculou sua vida durante vários anos. Tais boatos serão melhor esclarecidos no futuro. O que se sabe, ao certo, sobre o Falcão é que, após uma viagem ao Brasil, quando retornava a seu país, o avião que o transportava caiu numa ilha do Caribe, onde residiam Os Exilados - grupo de criminosos nazistas que, no tempo da Segunda Guerra, foram aliados do Caveira. Lá encontrou também o Capitão América, que havia trocado de corpo com o Caveira graças ao poder do Cubo Cósmico, em poder do vilão. O Capitão treinou Sam Wilson para enfrentar Os Exilados e o jovem negro acabou assumindo a identidade do Falcão. Após essa aventura, ele foi parceiro do Capitão América por vários anos. Com o tempo, o herói negro trocou seu uniforme verde e alaranjado e começou a usar um outro, que conserva até hoje. Esse uniforme foi alterado pelo Pantera Negra, o que possibilitou ao Falcão voar. Sam Wilson sempre teve um talento especial para cuidar de pássaros. Ele é dono de um falcão chamado Asa Vermelha (ver Asa Vermelha), que comprou no Rio de Janeiro, e, com o qual, parece ter desenvolvido um elo psíquico. Criado por Stan Lee em 1969, Wilson namora a jovem Leila, e seu parente mais próximo é sua irmã, Sara Wilson.


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(Fah Lo Suee)
Filha do lendário Fu Manchu, Fah Lo Sue é meio-irma de Shang Chi (veja Mestre do Kung Fu), pois os dois não foram gerados pela mesma mae. Dona de encantos satânicos e olhar hipnótico, ela consegue cativar facilmente qualquer homem e escraviza-lo a sua vontade. Fah Lo Sue, assim como seu pai, sempre nutriu sonhos de conquista - tanto que ela chegou a dominar parte dos exércitos do mandarim com a intenção de derrota-lo e, possivelmente, chegar ao pináculo da glória, conquistando o mundo. O diabólico chinês, contudo, acabou provando ser mais forte e derrotou sua ambiciosa filha, o que a fez passar para o lado do maior inimigo de Fu Manchu: Sir Denis Nayland Smith (veja Denis Hayland Smith). No passado, Fah Lo Sue e Sir Smith viveram um caso de amor que teve um brusco fim, quando o agente inglês descobriu que sua amada era, na verdade, uma criatura maléfica. Os dois se separaram, mas seu amor persiste até hoje. Criada por Doug Moench em 1975, assim como Fu Manchu, ela também toma doses do Elixir Vitae - o soro secreto do mandarim, que concede juventude eterna a quem o ingere.


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Página 34: Ego, o Planeta VivoElectroElektra
Página 35: Elric de MelnibonéEncantorEncapuzadoEnguia
Página 36: EnxameEonErik, o Terror NegroEros
Página 37: EscorpiãoEscudo AzulEsfinge
Página 38: EspadachimEspantalho
Página 39: Espião MestreEsquadrão SerpenteEsquadrão Sinistro
Página 40: Estranho
Página 41: Estrela NegraExecutorExecutorExecutores


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(The Enforcers)
Criação de Stan Lee em 1964, os Executores são um grupo de criminosos formado por Dan, um mestre de judô; Montana, hábil com um laço como ninguém, e o fortíssimo Gorgão, também chamado de Touro. Recentemente contratados para destruir Harry Osgood, o empresário da super-heroína Cristal, eles já enfrentaram o Homem-Aranha, Demolidor e outros super-heróis, tendo sempre o mesmo destino: a penitenciária.


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(Razor Fist)
Guarda-costas de Velcro, o vilão que pretendia conquistar o mundo aliado ao gênio criminoso Mórdilo (veja Velcro e Mórdilo), o Executor possuía duas lâminas afiadíssimas no lugar dos antebraços e foi incumbido de impedir que Shang Chi (veja Mestre do Kung Fu) penetrasse na fortaleza de seu senhor. Vencido num primeiro confronto, ele tentou atacar novamente o maior lutador marcial do mundo, mas acabou sendo fuzilado pelos próprios soldados de Velcro. Criado em 1975 por Doug Moench, correm rumores de que o vilão não morreu e planeja retornar para se vingar do Mestre do Kung Fu.


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27jan17 - em frente ao prédio da Fiesp, uma das sedes de todo o Mal paulistano,
alguém foi genial e revelou a verdade com um pincel atômico :D

Bom, Sampa perdeu um prefeito tão bom que ela não merecia e ganhou um superficial que ela merece. Esconde mendingo, por preconceito, apaga um enorme mural de grafites, por preconceito (e o dinheiro da tinta? Veio de onde? Mal teve tempo de fazer licitação...). Começa-se a castrar os blocos de rua do carnaval.
É a luta da neurose de "Ordem" contra a organicidade viva do município. Não há proposta de corrigir e direcionar, só de destruir, substituir, cercar, esconder.

Tá demorando pro povo daqui tirar a cabeça do século XIX.

Não se assustem, to tentando gerar assunto pra minha newsletter :P

Magias & Barbaridades volume 3: Vida na Cidade (de Fabio Ciccone): Vontadezinha de puxar a orelha do Fábio Ciccone tive quando fui na Comix e encontrei o terceiro volume com as coletâneas das tiras dele, depois de receber zero aviso pelo Twitter, nenhuma divulgação por e-mail, etc. Nem todo mundo tem facebook, que já não é aquele respeitável canal de divulgação de antigamente.
Nesse volume, o trio de personagens (Remmil ("um mago arrogante e incompetente"), Oc ("um bárbaro fã de Shakespeare") e Idana ("uma amazona renegada e um tanto atrapalhada")) procura resgatar o Bastão da Chuva, o que resulta em confusões, idéias malucas que darão certo nunca (mas dão!) e depois embarcam numa curta viagem metalinguística, mas bastante interessante - por sinal, vendo a foto na primeira orelha do livro, você se toca quem é a inspiração para o misterioso personagem que conduz esse arco :P

# Veredicto: uma série de tirinhas consistente e que diverte, li numa sentada só :) Aguardo o próximo volume!
# Bom: para quem acompanhava as tiras pela internet, tem páginas extras e, olhem só, coloridas!
# Mau: falta de divulgação e o hercúleo esforço em escolher cores secundárias para criar as capas. Falta algo nelas para faze-las interessantes.
72 páginas • R$21 • Clique aqui e adquira na loja da editora

Don Drácula (1979, mangá em 3 volumes) (de Osamu Tezuka): Mais um caso em que felizmente quebrei a cara: assim como Astronauta: Assimetria, eu não tava com muita expectativa ao pegar a série de mangás para ler, "assim que terminar, certeza que vou por para vender que nem o bonzinho Kobato".
Né?
Não.
Em primeiro lugar, é um trabalho de Osamu Tezuka, o cara que DEFINIU o gênero mangá. Existiam quadrinistas japoneses antes dele, sim, mas ninguém antes teve o impacto no meio que o chamado "deus do mangá". (notinha para as pessoas "normais": ele foi o autor dA Princesa e o Cavaleiro e o Menino Biônico)(eu disse "normais", não nascidos na segunda metade dos anos 80 em diante)
Em segundo lugar é um trabalho dele maduro, calejado, do autor mais ensinando do que aprendendo. Ok, é um trabalho menor em pretensão e quantidade de páginas, mas um trabalho não reduz quem o faz :P
Enfim: Don Drácula é um mangá de comédia/terror que conta as aventuras do famoso vampiro, que foi morar no Japão com sua filha adolescente Chocola (ou Sangria, na versão em anime que passou na Manchete) e o assistente Igor. Além de problemas comuns aos vampiros (ter de sugar sangue, medo do sol, cruzes, alho) e de pais de filhas adolescentes na escola noturna, ele tem de fugir do Professor Van Helsing (que tem hemorróidas, e elas sempre atacam o personagem na hora H) e às vezes lidar com outros entes sobrenaturais - e é aí que em alguns episódios o humor leve da série dá lugar à mortes, algumas horríveis, só amenizadas pelo traço "fofo" do autor, que não sente a necessidade de mostrar as tripas, mutilações e dezenas de corpos carbonizados (sim, acontece disso), que você sabe que estão lá.
E foi na facilidade em que muitas vezes o autor transita de um gênero para o outro sem quebrar o encanto que mantém o leitor preso ao texto que o mangá me cativou, além de ter algumas transições de cena e técnicas de passar informação ao leitor que me deixaram de queixo caído. Tipo: em vez de mostrar cena a cena o que acontece, Tezuka tira tudo o que não é essencial, coloca na história apenas o mínimo necessário e é hábil o suficiente para não ficar truncado - pelo contrário, fica no tamanho exato, as vezes a cena não é importante, só complicada, não tem de disputar atenção com o cerne da história.
(para quem tem o mangá: quando li volume 1, páginas 40-41-42, balbuciei "caralho, que manobra de roteiro arriscada!")
Por sinal, não há uma grande história a se seguir em Don Drácula: é um mangá de episódios soltos, sem cronologia, podendo ser lidas em qualquer ordem. Drácula às vezes é terrível com suas vítimas, exigente do tipo que só prefira moças bonitas e virgens (machista?), mas também é um pai coruja antiquado adorável. No fundo é uma boa pessoa que deu errado em algum canto da vida, senão não seria um vampiro x) Chocola é uma boa garota, estudiosa (ao contrário do genitor) e se preocupa com os amigos. Corre o risco de morrer de fome se continuar assim X)
Para quem quiser conhecer os personagens sem gastar dinheiro, vários episódios do desenho animado estão na internet, inclusive o lendário do Panda e Filhote de Tigre, que fez muita criança chorar^^

# Veredicto: muito bom (não ótimo) mangá, vai morar na minha estante mais tempo do que eu pensava :)
# Bom: bons personagens, uma aula de como fazer histórias curtas. A edição nacional tem excelente acabamento.
# Mau: fim precoce - apesar das virtudes, a série acabou abruptamente com apenas seis meses de publicação e tem vários episódios mais fraquinhos, escritas quase que no automático. Também me incomodou os... er... critérios do personagem para escolher suas vítimas (bonita, virgem, novinha, etc), mas isso reflete MUITO homem na vida real, só que o mangá nem de longe tenta criticar isso. Idem o tratamento dado à Blonda, que é gorda e "alivio cômico" da série =_=
230 páginas em média • R$26 cada volume (são 3) • Clique aqui e adquira na loja da editora

Duas notinhas:
1) sobre o Menino Biônico, procuro muito foto/scan de embalagem das pipoca-doce-de-embalagem-cor-de-rosa Panda, que vendiam em SP e tinha o personagem estampado.
2) o estúdio de animação de Tezuka era o Mushi Production. Quando adotei meu nick, nem sabia disso, feliz coincidência :D

Laputa/Castelo no Céu (1986) (de Hayao Miyazaki): Pra quem vive muito longe da bolha onde existo: Hayao Miyazaki é considerado o maior nome da animação japonesa vivo e seu estúdio, Ghibli, é sinônimo de qualidade em roteiro e técnica. (Um de seus trabalhos ganhou o Oscar (A Viagem de Chihiro) (não que o Oscar indique muita coisa, mas é uma referência pra maioria das pessoas :P))
Feita a apresentação, digo tem três dos trabalhos iniciais do Miyazaki no Gibli que são meu xodó: Tonari no Totoro ("quem não gosta de Totoro boa pessoa não é", é uma de minhas leis), Kiki's Delivery Service (preciso rever, é só ter tempo livre com dona namorada)(e sim, eu uso os nomes em inglês e japonês dos animes sem critério) e Laputa, que tem esse nome engraçado por causa das Viagens de Gulliver (preciso ler), onde ele encontra uma ilha voadora com esse nome. Pelo jeito Jonathan Swift sabia bem o que "la puta" quer dizer em espanhol (um escritor irlandês, ele fez da ilha uma crítica aos ingleses), mas para o mercado japonês significa nada, então o nome do anime - que vocês já devem ter percebido, também tem uma ilha voadora - ficou esse mesmo. Aqui no Brasil foi batizado de Castelo no Céu.
A trama é simples, mas bem executada: Pazu, um garoto que trabalha numa mina encontra Sheeta (outro bendito nome...), uma garota que caiu do céu, literalmente. Logo descobrem que 1) ela é procurada pelo exército e inteligência do país onde vivem 2) e que ela tem a chave para encontrar a lendária cidade voadora de Santo André da Borda do Campo Laputa, escondida dentro de um tufão, que guarda riquezas materiais e tecnológicas. A partir daí, temos um encadeamento de aventuras, culminando na dita cidade, com lições sobre cobiça das pessoas. Tudo isso temperado com um visual retrô + tecnologia inexistente para a época, o que hoje se chama steampunk: o anime se passa supostamente no fim do século XIX, com toda aquela carinha de Revolução Industrial (máquinas a vapor, minas de carvão), mas tem aviões e dirigíveis de uma forma que nunca existiram no mundo real, ainda mais naqueles anos.
Por sinal, essa estética é um pontos altos da animação para mim (tem até uma cena de briga que se parece muito com as primeiras animações da Disney), junto da trilha sonora. Os personagem devem um tanto em brilho (exceto, talvez Dola, a chefa dos piratas aéreos)(sim!, também tem piratas!!) e em profundidade - para o bem e para o mal, a maioria são caricatos ou arquetípicos (Por exemplo, Pazu não vai muito além do "garoto bonzinho sem medo com uma missão a cumprir e lições a aprender"). Mas isso é uma escolha consciente do roteiro, que optou em fazer uma história aventuresca onde os bons são bons, os maus são malvados mesmo e todos sabem que vão quebrar a cara no fim.

# Veredicto: é um anime "para garotos", para se ver sem pretensões, é divertido, faltam histórias assim.
# Bom: além da ambientação ser rica e com vontade de "queria saber mais sobre aquele mundo", a animação e trilha sonora são caprichadas.
# Mau: Sheeta, a mocinha, me irrita. Ela é muito "donzela em perigo", raramente toma atitudes, tem pouca força como pessoa, mesmo sendo uma jovem moça do bucólico interiorrrrrrr daquele país. (A figura feminina forte no enredo é uma pirata-mãe-dominadora que se deixassem, roubava a trama pra ela).
126 minutos •

Mais duas notinhas:
3) se o texto aparentou que eu não gosto do anime, desculpe, gosto sim, e muito :P Mas é comum eu apontar os defeitos e não ter competência em apontar o que curti^^""
4) por algum motivo, sempre imagino Geni e o Zepelin ocorrendo na cidade de mineiros (mineradores, não cultivadores de pão de queijo) à beira de um "abismo" como a apresentada nesse desenho ^^
5) a Livraria Cultura estava vendendo esse anime e outros do Ghibli em dois boxes, vale muito a pena correr atrás, mas... infelizmente um deles parece que já se esgotou :(


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